Ideias Livres

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Estado sin vergüenza

Parece que a bonita história dos 44 médicos cubanos contratados à pátria de Fidel para salvar o interior do país da ausência de clínicos tem contornos aberrantes - aos olhos, claro, de um regime democrático de cariz liberal como ainda e apesar de tudo, se supõe ser o nosso.

De acordo com o jornal i, estes médicos não são pagos directamente pelo Ministério da Saúde português, como todos os outros médicos com contrato com o Estado em Portugal. Esse dinheiro é entregue ao isento, transparente e democrático Estado cubano, o qual o "entrega" às respectivas famílias e disponibiliza, mediante subsídio de deslocação e através da embaixada em Lisboa, 500 euros por mês aos clínicos em causa, acompanhados por um controleiro do regime cubano.

O Estado português lava as suas mãos de qualquer controlo sobre o destino do salário destes profissionais/"voluntários". Será fácil de compreender que este sistema de escravidão estatal não passa de um método de globalizar a escravidão existente em Cuba e de angariar receitas adicionais para o falido Estado comunista. A isto costuma-se chamar tráfico de pessoas. Cuba aluga os seus cidadãos, devolvendo-lhes uma fatia mínima do ordenado que justamente e a preços de mercado mereceram e injectando um sistema falido e corrupto com uns milhares valentes de euros, tudo sob o beneplácito - e participação activa - do Estado português.

Acrescente-se a isto que apenas o Sindicato Independente dos Médicos veio a público expôr esta situação. Qual a posição da CGTP, do PCP e do BE relativamente a este assunto? E, já agora, do PS?

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

O amargo sabor da derrota

Não acreditando em Deus nem tendo tido formação católica, sinto-me à vontade para criticar a recente posição expressa por José Saramago em relação à Bíblia, aquando do lançamento do seu último livro, "Caim".

Avaliar um conjunto de textos escritos e reescritos ao longo dos últimos 2500 anos com os olhos da modernidade é de uma enorme falta de vontade. A Bíblia é, acima de tudo, um resumo do mundo judaico-cristão, sendo por isso um reflexo do pensamento colectivo e heterógeneo que o compõe. Dizer, como fez Saramago, que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana" é descontextualizar a obra e, acima de tudo, não compreender o próprio Homem. Porque mais crus e duros que a Bíblia são os contos populares, muitos de origem exclusivamente pagã, transmitidos de geração para geração pelas tribos do mundo inteiro. Igualmente cruéis serão muitas das obras-primas da literatura mundial, como a Ilíada, a Odisseia, a Divina Comédia, o Decameron ou a obra de Shakespeare. Foi a Bíblia que foi escrita pelo Homem e não o contrário.

Claro que, para quem acredita na luta dos mais fracos contra os mais fortes e na capacidade dos homens face à adversidade, histórias como a de Job podem parecer mera propaganda da cúpula da Igreja para convencer o crente a sofrer calado, redobrando a sua fé. Mas transmitir a ideia de que perante as dificuldades deveremos manter um espírito positivo e encarar o futuro com optimismo não é muito diferente do que nos dirá hoje qualquer psicólogo. Isto para não mencionar os caixotes de propaganda de regimes comunistas em que as elites do partido, responsáveis pela miséria em que vive o seu povo, lhes tentam transmitir o maravilhoso mundo em que supostamente vivem.

Saramago está cada vez mais só e triste com um mundo que não compreende e de que não gosta. É, no fundo, um comunista lúcido e (por isso mesmo) deprimido, desiludido com o Homem por não perceber a maravilhosa utopia com que ele sonha. Já não acreditando na mudança do Homem, quer apenas atirar-nos à cara a merda que, para ele, nós somos.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Regresso às aulas

Sim, eu sei que estamos no meio de uma campanha eleitoral e todos os partidos querem cativar votos entre as principais corporações profissionais, nomeadamente a dos professores.

Felizmente, como não preciso de o fazer, aproveito para chamar a atenção para uma posta de Ronald Bailey na Reason que nos envia para dois artigos, um na New Yorker e outro na edição da Reason de Outubro de 2006 (How to Fire an Incompetent Teacher).

If you ever doubted that the public schools are chiefly run for the benefit of teachers, this article will put those fond delusions to rest. Educating children is an incidental side effect of giving teachers jobs. Of course, not all school systems are as dysfunctional as New York's is, but the monopoly power of government schools cannot help but foster creeping incompetence and the growth self-justifying educational bureaucracies at the expense of educating students.

Garantir acesso universal ao ensino não tem nada a ver com ter um sistema público de ensino do mesmo modo que não preciso de ter um sistema público de habitação para que todos tenhamos uma casa. Uma coisa é certa, é a presença asfixiante do Estado na actividade educativa que impede a sociedade de responder às diferentes necessidades dos cidadãos, com a capacidade criativa e heterogénea que a caracteriza e não com o carácter burocrático e monolítico que o Estado irremediavelmente tem. E o cheque-ensino começava a resolver isto.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Eu é que sou o presidente da junta

José Sá Fernandes quer proibir a colocação de telas publicitárias em edifícios de Lisboa, salvo raras excepções.

Que Sá Fernandes queira regular a colocação de publicidade em edifícios municipais, tudo bem. São da sua responsabilidade. Porém, este regulamento vai muito para lá disso. Cria fortes limitações à colocação de telas nos edifícios privados, muitos deles mamarrachos que não deveriam existir sem uma tela em cima…

É importante também perceber que estas telas são importantes receitas para os condomínios dos edifícios, que lhes permite angariar fundos para a própria recuperação do imóvel. Um das excepções que Sá Fernandes colocou na proposta a levar à Assembleia Municipal prende-se com a existência de obras em curso. Assim como assim, antes uma tela publicitária que a ráfia monocromática vulgarmente usada para este efeito e essa verba pode ajudar a pagar a obra.

Porém, para a obtenção da receita necessária para uma intervenção num edifício pode não bastar a colocação da tela durante o período da mesma. Por outro lado, existem vários custos regulares de manutenção de um prédio que também poderiam ser em parte suportados por esta receita. Castrar esta possibilidade é uma vez mais tirar dinheiro do bolso dos cidadãos, em nome de uma estética umbiguista.

Pessoalmente, considero que algumas destas telas dão nova vida à cidade. Muitas vezes colocadas em edifícios em ruínas - quantas vezes por culpa do Estado e das suas inúmeras intervenções no mercado imobiliário - são formas de comunicação directa com um público-alvo, tendo também utilidade para os consumidores. Quem não conhece, afinal, as telas da Triumph à saída de Lisboa, no começo da A1 (que felizmente julgo estarem já no concelho de Loures e fora do lápis azul de Sá Fernandes)?

Pior ainda é ficar excluída desta proposta de regulamento a publicidade institucional, como se esta não pudesse ser um atentado visual tão grave como a restante. Este fim de semana, enquanto passava a pé pelo Saldanha, apercebi-me de vários edifícios com gigantescas telas publicitárias da Câmara, travestidas de informação relativa à aprovação da obra de recuperação dos imóveis em causa. Esta forma despudorada de auto-promoção é em si muito mais subreptícia e mal-intencionada do que qualquer comum anúncio e só uma visão desfocada da sociedade pode deixar passar isso em claro.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Pedido de asilo

Parece que 4 jogadores de basquetebol cubanos terão, aparentemente, desaparecido após um jogo particular realizado pela selecção cubana frente à congénere espanhola, nas ilhas Canárias. O delegado cubano diz que, quando estas coisas acontecem, normalmente indicia um pedido de asilo político.

Esta notícia deixa no ar três questões:

1. O que leva 4 cidadãos cubanos a fugir de um país cuja economia está de certo modo protegida da crise económica que assola o mundo capitalista e procurar asilo no país cujods indicadores mais têm caído e o desemprego anda perto dos 20%? Talvez Bernardino Soares ou Francisco Louçã me consigam responder a isto.

2. Segundo o delegado cubano, "trata-se de uma situação negativa para os atletas e para Cuba [...] garantindo que as regras da Federação Internacional de Basquetebol não lhes permitirá jogar em Espanha". Não deixando de considerar uma enorme vergonha não se permitir a estes jogadores que continuem a fazer o que melhor sabem, mas num país livre, parece-me que o delegado cubano não percebeu que para estes homens é preferível ser trolha em Espanha do que basquetebolista em Cuba...

3. Finalmente, acho curioso que estes homens tenham desaparecido nas Canárias. Sugiro mesmo que uma boa forma de sanar esta questão sem mais demoras passaria por uma simples troca. Eles ficariam com o uso partilhado da casa de José Saramago em Lanzarote, enquanto este passaria a deter - deter, não, usufruir de - quatro habitações nas Caraíbas...

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Especulação e interesse

Fernando Gabriel, no Diário Económico, escreve um artigo sobre o pretenso impacto da especulação no preço do crude, muito bem intitulado de "Especulação e interesse".
A maioria dos políticos, claro, continua a sua senda revanchista contra o mercado livre, numa campanha continuada para reconquistar muito do poder que no passado já tiveram e que a sociedade, aos poucos, vinha ganhando. Têm-no feito nas questões ambientais, transformando tudo em externalidades, atacando dessa forma o próprio conceito de economia de mercado livre e puxando para si todas as decisões, por mais arbitrárias e disparatadas que possam parecer. Fizeram-no como suposta resposta à crise financeira, intervindo fortemente na economia e nacionalizando muita da dívida existente e querem fazê-lo também no mercado energético, retirando-lhe o poder de controlo da procura no tempo, fundamental numa economia de recursos naturais finitos, como a do petróleo.
Pena é que Gordon Brown, Nicolas Sarkozy e outros líderes políticos europeus não aproveitem para ler o que dizem os especialistas sobre o assunto. Além de Eyal Dvir e Kenneth Rogoff, mencionados por Fernando Gabriel, adiciono ainda um estudo específico pedido pelo comité da Indústria, Energia e Investigação do Parlamento Europeu e publicado em Fevereiro deste ano, em que Lutz Killian, economista e especialista na matéria, demonstra o seguinte:
"...industrial commodity prices rose as fast or even faster in commodity markets for which no futures contract exist. Another problem is that speculators in oil futures markets appear to have played both sides of the future markets rather than consistently betting on higher prices. [...] There is no real evidence for the view that speculation is behind the recent surge in the price of oil (or that diminished speculation explains the subsequent fall of the real price of oil)"
Aliás, em relação a este último parágrafo vale a pena também a análise de um excelente artigo de Craig Pirrong no Seeking Alpha, "Is Excessive Speculation in Oil and Commodities Markets Actually Occurring?", publicado há cerca de uma semana, em que se analisa a evolução do preço do crude vs noncommercial long positions.



















Pirrong consegue ainda ridicularizar alguns dos argumentos da dupla Brown-Sarkozy no que a esta matéria diz respeito.
Regarding “serious interruption of supply.” Uhm, Gordo, Nicky–there’s this concept called “demand.” Believe it or not, it’s one of the “accepted rules of economics.” Don’t take my word for it. It’s in all the textbooks. Price evolution in the recent period is clearly demand driven, not supply driven. Prices spiked when demand spiked. Prices plummeted when demand cratered.
And there have been supply shocks. Nigeria is an ongoing source of supply shocks, and during the price spike last summer losses of sweet Nigerian crudes in the face of very high demand for distillates (driven in part by European regulations regarding clean diesel) led to big spreads between benchmark sweet crudes like WTI and Brent and sourer crudes. What’s more, OPEC output cuts (especially by Saudi Arabia) played a key role in the firming of prices following the price collapse in October-January.

Veremos até onde irá o populismo auto-motivado dos líderes políticos mundiais...

Terça-feira, Junho 16, 2009

De que lado estão vocês?

No Irão, depois de um acto eleitoral com elevada participação e cujos sinais visíveis pareciam indiciar, se não uma vitória de Mousavi, o candidato mais liberal, pelo menos uma disputa renhida pela Presidência, as autoridades deram Ahmadinejad como vencedor com cerca de 2/3 dos votos. A oposição, revoltada, reclama a existência de uma chapelada. É de facto uma pena para o mundo que não tenham sido permitidos observadores internacionais neste acto eleitoral. Impediu-nos de ter uma visão imparcial do processo e deixou-nos a todos com dúvidas legítimas quanto à honestidade do resultado apresentado.

Pessoalmente, teria todo o gosto em ver o Irão, nação milenar, transformado numa sociedade aberta e livre, com menor força dos ayatollahs e sei que as manifestações que têm ocorrido são a prova da vitalidade da sociedade civil em Teerão. No entanto, isso não significa forçosamente que tenha existido alguma fraude e creio que a história do Irão está a ser escrita a cada hora que passa.

Aproveito no entanto estes factos para chamar a atenção para esta notícia do Libertad Digital, em que se descrevem ligações perigosas entre a Bolívia, a Venezuela e o Irão, que envolvem potencial tráfico de urânio. Se nos lembrarmos que o principal amigo de Ahmadinejad a nível internacional é Hugo Chávez, o extravagante e populista líder socialista da Venezuela, que tem conseguido aos poucos transformar a Venezuela numa autocracia - enquanto muitos líderes internacionais fecham os olhos, à custa de petróleo e, nalguns casos, de uns milhares de computadores infantis - seria importante perceber o que tem a comunidade internacional a dizer de tudo isto e, já agora, o BE e o PCP, que de forma mais ou menos velada têm defendido o Papagaio de Caracas. Porque a ambiguidade e a hipocrisia costumam ser práticas de partidos do poder, habituados à realpolitik, e não de partidos tão cheios de verdades supremas...

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Pensamento politicamente incorrecto do dia

A propósito da pseudo-escândalo que a esquerda quis criar em torno da candidata do partido de Berlusconi ao PE, coloco a seguinte questão para discussão sem falsos moralismos:

À data da sua eleição, o que tinham feito a mais (e não a menos) Ana Drago, Joana Amaral Dias ou Marisa Matias do que Barbara Matera? Ser de esquerda?

Balanço eleitoral

Pela primeira vez, aos 33 anos, votei no CDS (ainda demorei um pouco a encontrá-lo, mas lá estava, na forma de Partido Popular).

Fi-lo depois de pensar devidamente no assunto (e de ver os péssimos cartazes de promoção da subsidiodependência por parte do PSD). Além disso, julgo que Nuno Melo fez uma excelente campanha - e terminou com um discurso de grande classe, mencionando todo o staff que o apoiou, algo que não me lembro de alguma vez ter visto na política.

Analisando os resultados, apraz-me dizer o seguinte:

1. O PS levou uma enorme e merecida rabecada. Perdeu votos para o PSD, para o BE e para a abstenção. Vital Moreira foi um péssimo candidato, até no discurso final, sempre pouco à vontade, sem pitada do animal político que em tempos parecia ter sido. Neste momento começa a ser duvidoso se Sócrates, com todos os escândalos e arrogância, vale mais ou menos do que o voto ideológico no PS.

2. O PSD venceu, conseguindo cativar eleitorado descontente com o PS, ao centro. À direita, fugiram para o PP, que conseguiu com isso um excelente resultado dadas as expectativas. Rangel foi um candidato persistente e simpático que conseguiu, com um sorriso na cara, aguentar a provocação de Passos Coelho em Vila Real. Esteve pior no discurso de ontem, dando demasiado peso a uma minudência protocolar ao criticar o facto de não ter sido pessoalmente cumprimentado por Vital Moreira. Por contraste, Manuela Ferreira Leite terá feito um dos seus melhores discursos. Tranquila, ponderada, afável e virtuosa. Imensa classe, coisa que vai faltando na nossa sociedade, muito por culpa dos exemplos políticos.

3. O BE foi fortemente reforçado com eleitorado descontente do PS, que regressará à origem perante a ameaça laranja caso os bloquistas não consigam transmitir uma mensagem de confiança e menor extremismo (e não têm muito tempo).

4. A CDU tem o seu eleitorado próprio, subindo e descendo percentualmente na função inversa da taxa de abstenção. Poderá ter recebido algum eleitorado socialista old school, descontente com Sócrates.

5. O PP teve um resultado bastante bom, dadas as expectativas criadas por meses de sondagens perniciosas. Há que rever a metodologia das mesmas para conseguir reflectir a realidade sociopolítica do país e isso não está a ser conseguido. Tem no entanto uma enorme ameaça para as legislativas, o voto útil. Perante a possibilidade do PSD derrotar o PS muitos votantes de direita estarão tentados a votar laranja. Sabendo-se da difícil convivência Ferreira Leite/Portas, será difícil a este apelar ao voto no PP como voto de estabilidade.

6. A enorme abstenção é, na sua maioria, constituída por um votante pouco interessado/desiludido com a política, devendo ter em si muito eleitorado que votou PS em 2005. Penso que, tirando alguma flutuação para voto útil à esquerda (BE->PS) e, principalmente, à direita (PP->PSD) será da decisão destas pessoas que dependerá o futuro político nacional.

7. A nível europeu, a grande vitória do PPE, a derrota da esquerda moderada e a subida dos eurocépticos são fortes sinais dos europeus para as suas elites políticas. No fundo, como em Portugal, temos um conjunto da população que acredita que o Estado lhes pode dar tudo e não aceita qualquer cedência, radicalizando o seu voto em resposta à ameaça da perda de "direitos instituídos" ao aperceber-se que a esquerda no poder os "traiu". Outro conjunto - maioritário - que acredita na economia de mercado, apesar de tudo o que sucedeu no último ano. E um terceiro, que pode até ser constituído por elementos de ambos os grupos mas por razões inversas, que está farto do permanente centralismo por considerar (correctamente) que tem perdido poder de decisão sobre a sua vida.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Humor cubano

Há tempos comprei o livro "Foice e Martelo", editado pela Guerra e Paz e que visa contar a história do comunismo em anedotas reais contadas pela população de países comunistas ao longo do século XX. O comunismo presta-se, de facto, pela sua incapacidade em compreender o Homem e o seu modo de ser, a piadas de grande qualidade, nomeadamente no campo do absurdo.

Eis quando hoje, enquanto lia o resumo dos principais acontecimentos semanais na newsletter do The Economist, me deparo com mais uma pérola de humor comunista, neste caso de origem cubana:

"Cuba’s government said it would announce an austerity programme to cope with the effects of the global economic downturn and cut energy use to avert electricity blackouts this summer."

Ficamos portanto a saber que se acabaram os tempos de vacas gordas em Cuba e que nesta ilha das Caraíbas se acaba com os blackouts com... blackouts.